De todos os detalhes que fazem a pessoa se destacar, os aparentes, por óbvio, surgem como sendo os de primeiro impacto visual. Mais do que conversar com nosso estilo, a imagem pessoal formada por roupas, sapatos, acessórios, cabelos, funciona como uma linguagem que nos coloca no mundo.
Quando falamos em imagem e estilo, gosto de lembrar a etimologia de ambas as palavras, momento em que se conscientiza o quanto uma depende da outra. Imagem, do latim imago, in me ago, fala sobre o que se manifesta e sobre tudo o que age em mim; enquanto estilo, também do latim, stillus, se refere às pequenas varinhas pontiagudas, geralmente de gravetos, com as quais os primeiros escribas faziam os seus textos ou desenhos nas tábuas de argila. As imagens criadas nas tábuas faziam referência a um estilo, a uma maneira singular e única de escrever a própria história.
Cortando para os nossos tempos, fica claro o quanto a imagem que projetamos age como um indicador do nosso estilo, da nossa maneira de ser. O que vestimos, usamos, consumimos, funciona como uma extensão de nós mesmos, refletindo externamente o que somos. Na mão inversa, também o externo age em nós, sendo por nós absorvidos. Uma dialética constante, que nos leva a refletir o quanto a massificação e as síndromes de GRWM, looks do dia, one piece-three ways pode chocar com nosso modo autoral de se fazer presente.
Entre seguir a trend e ter estilo, Miricis fica com aquilo que favorece a autenticidade, o modo único de ser. Para isso, precisamos refinar a nós mesmos, ampliando nosso repertório com o que há de clássico e de novo, em coerência com nosso estilo de vida, com o ambiente aonde se vai, percebendo cada detalhe como importante – a escolha da roupa, do perfume, do sapato, do penteado, do acessório.
É na vida no varejo, no prazer colhido nas pequenas coisas que fazemos no dia a dia, mais do que no atacado dos grandes projetos, que se percebe o quanto se está de acordo com a própria identidade.
