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Jardim sensorial: quando a natureza que nos cerca revela quem somos

por Dani Goulart
11 de outubro de 2026
em Casa & Hospitalidade

Mais do que estética, o jardim sensorial é uma escolha de presença e de identidade

O contato com a natureza talvez seja um dos maiores prazeres que podemos nos proporcionar. A estética, a harmonia e a beleza são capazes de nos reconduzir a um estado de quietude que o mundo agitado insiste em interromper. Entrar em um jardim bem concebido, daqueles em que percebemos o verdadeiro diálogo conosco, é sentir algo raro: uma espécie de aquietamento. Como se o corpo soubesse, antes da mente, que chegou ao lugar certo.
É por isso que o jardim sensorial entra tão naturalmente na editoria Casa & Hospitalidade. Como tendência de paisagismo, naturalmente, mas principalmente como escolha intencional. Como uma extensão de quem habita a casa. Uma assinatura.

O estímulo aos sentidos

Tanto como a casa, o jardim quer fazer parte do dia a dia do morador ou visitante de modo a refletir e transformar quem é impactado pelo espaço. Tendência que vem se fortalecendo, o jardim sensorial estimula, de forma intencional, os sentidos humanos — visão, audição, tato, olfato e, em alguns casos, até o paladar. Eu diria, ainda, que vai além, reverberando internamente e produzindo bem-estar. Indo além da perspectiva do jardim ornamental, o sensorial provoca uma experiência multissensorial, ao unir as funções perceptiva, terapêutica e experiencial.
Para chegar a esse resultado, o paisagista leva em conta a seleção das espécies vegetais, materiais naturais, texturas, sons e elementos construtivos integrados ao projeto.
Referência no Brasil pelos projetos paisagísticos há mais de 25 anos, Cleber e Arthur Depieri, do Depieri Paisagismo, escritório de Brasília que atende em todo o país, avaliam que tudo deve ser pensado: a diversidade vegetal planejada, com espécies que oferecem contrastes de texturas, cores, aromas, formas e movimentos; a estimulação tátil, por meio de folhas macias, rugosas, aveludadas ou estruturadas; a presença de elementos aromáticos, com plantas ricas em óleos essenciais naturais; os componentes sonoros, como o som do vento nas folhagens e da água em movimento; e o uso de materiais naturais, como pedra, madeira, cascas de árvore e seixos.
“Entre os principais benefícios de um jardim sensorial, destacam-se a redução do estresse e da ansiedade, proporcionada pela conexão com elementos naturais, e a melhora do bem-estar físico e emocional, amplamente evidenciada em estudos de neuroarquitetura e biofilia. Além disso, promove estímulos cognitivos e sensoriais, ao mesmo tempo em que contribui para a valorização estética do ambiente. Por fim, também favorece a criação de espaços mais humanizados, que convidam à pausa e à contemplação”, comenta Cleber.

Para quem pensa que o jardim sensorial funciona apenas em grandes espaços, Arthur esclarece: “Mesmo em ambientes enxutos, varandas ou áreas internas, é perfeitamente possível implantar um jardim sensorial. Nesses casos, o projeto deve priorizar espécies multifuncionais, capazes de estimular mais de um sentido simultaneamente, além de plantas aromáticas e táteis, que proporcionam grande impacto sensorial mesmo em pequena escala”. Nesse sentido, os jardins verticais também otimizam o espaço disponível.

Como criar um jardim sensorial

A criação de um jardim sensorial exige planejamento técnico e uma leitura precisa do ambiente. O processo começa com a análise do local — considerando insolação, ventilação, temperatura, umidade e o futuro uso do espaço. Em seguida, define-se o objetivo sensorial do projeto, priorizando os sentidos que se deseja estimular.
“A etapa seguinte envolve a seleção das espécies, levando em conta fatores como resistência climática, nível de manutenção e compatibilidade entre as plantas. Paralelamente, são escolhidos os materiais e as texturas, integrando pisos, caminhos e o mobiliário externo”, explicam os paisagistas.
Também é fundamental o desenvolvimento de um projeto adequado de irrigação e drenagem, que contribui para a longevidade do jardim. Por fim, a execução deve contar com acompanhamento técnico, garantindo que o conceito sensorial seja preservado na implantação.

Como cuidar de um jardim sensorial

Os cuidados com um jardim sensorial vão além da estética e envolvem manutenção contínua e criteriosa. Podas, adubação e controle fitossanitário das plantas, bem como a atenção ao crescimento excessivo, são fundamentais — sob pena de comprometer a interação sensorial.
Também é importante prever a reposição de espécies aromáticas, que tendem a perder intensidade ao longo do tempo, além da conservação dos materiais naturais, como madeiras e pedras.
Os paisagistas alertam ainda para a questão da segurança, especialmente em projetos com a presença de crianças ou pets, exigindo a escolha de espécies não tóxicas e a eliminação de elementos cortantes.

Um jardim sensorial bem concebido nos amplia. Ao selecionar as plantas com quem convivemos de forma consciente e estética estamos definindo como queremos nos sentir ao chegar ou estar em casa.
Nós fazemos o ambiente. E o ambiente nos faz. É a tese que guia Casa & Hospitalidade. E o jardim, talvez mais do que qualquer outro espaço da casa, comprova isso com a precisão que só a natureza tem.

Fotos: Clausem Bonifácio/Divulgação

Tags: decoraçãoestilo de vidahospitalidadepaisagismo
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