O mundo da hospitalidade e do bem receber nos traz repertório poderoso sobre o que é o habitar no século 21. Depois de tendências minimalistas, projetos insossos em que predominam o branco e o gelo, casas como caixas e todo o tipo de visual que colocaram como sendo contemporâneo, atual e chique, incluindo a falta de personalidade, chega mais do que em tempo a volta da pessoa como protagonista do próprio lar.
Hotéis reconhecidos internacionalmente pelo design e qualidade do serviços, como Rosewood e Pulso, em São Paulo, Janeiro Hotel, no Rio, Clara Arte, em Brumadinho, para ficar em alguns brasileiros, entre outros, estão redefinindo o conceito de hospitalidade: do premium para o autoral. Além de todos os quesitos que fazem um hotel ser referência na hospitalidade de luxo, esses exemplos trazem identidade.
Saem projetos padronizados, entram designs únicos; saem os pratos clichê, entra a mão do chef com parcerias locais; sai a pasteurização e entram as obras de arte. Sai o hotel fechado em si e entra a integração com o espaço e o ambiente da comunidade onde está localizado. Sai o consumo desenfreado e entra a preocupação com a sustentabilidade. O que nos leva à pergunta: o que podemos aprender com esse mundo?
Primeiro, que nossa casa, assim como esses hotéis, precisa de uma assinatura. A nossa assinatura, nossa autoria. Colocar nela a nossa identidade. Certamente nosso ambiente deve passar pelo crivo dos engenheiros, arquitetos e profissionais de decoração, mas mais do que estar tecnicamente perfeito, funcional, ele precisa nos refletir.
Rosewood, Pulso, Clara Arte e tantos outros, contam uma história. Do empreendimento, do designer, da comunidade. Eles nascem de uma intenção, de um desejo de estar no mundo de determinada forma. Do contrário, seriam mais um.
Na sequência, podemos falar do quanto podemos trazer para o cotidiano a mesa bem-posta; o café da manhã bem-preparado; o jantar sem a interferência das telas; e tantos outros atributos que fazem dos hotéis, resorts e spas ambientes acolhedores.
Assim deve ser a nossa casa. Ela deve nascer de nós, contar nossa história, ter objetos que nos dizem respeito, livros que nos cutucam, louças que conversam, móveis que abraçam, lençóis e toalhas que massageiam, comida que nutre.
É mais do que deixar tudo limpo e bem arrumado, no seu devido lugar. É realmente fazer uma curadoria do que nos cerca, identificando o que nos faz bem, para que ali possamos estar inteiros, plenos, revigorados, capazes de exercitar a criatividade no dia a dia. Fugir da lógica obsessiva dos organizadores para a intenção estética pode ser o que nos faça evoluir a cada dia, progressivamente, em busca da excelência no modo de viver.
Foto: Rosewood Hotel/Divulgação
