O vinho branco brasileiro nunca teve tanto para dizer. Em 2025, pela primeira vez, a fatia de brancos chegou a 23% das importações — e a produção nacional acompanhou.
Um gole de vinho branco pode sempre nos surpreender. Seja no inverno, quando ele se revela rompendo as barreiras das baixas temperaturas; seja no geladinho à beira da praia, o que o senso comum já consagrou, o vinho branco com a temperatura respeitada faz aflorar aromas que sobem devagar ao paladar e à memória.

Celebrado no dia 4 de agosto, o dia do vinho branco merece ser comemorado. O Brasil, que começou sua trajetória no mundo vinícola pelos tintos, se curva à personalidade dos brancos. Em 2025, o vinho branco foi a fatia que mais cresceu, alcançando uma fatia histórica de 23% do que é importado. Prova de que o consumidor aprende a beber.
Uma mudança de gosto que vem liderada pelo fator climático, alinhado com nosso clima tropical; o crescimento do público feminino, que já responde por 53% do consumo, e eu diria que também os jovens, que descobrem nos brancos tranquilos uma bebida para todas as horas.
A produção que surpreende
Na produção, a Serra Gaúcha ainda lidera. As altitudes deram ao Chardonnay e ao Sauvignon Blanc brasileiros uma tensão e uma mineralidade que ninguém esperava encontrar por aqui. Também Moscato Branco e Giallo têm conquistado o paladar. O Fiano e o Viognier começam a aparecer nas prateleiras. São rótulos que chegam com história, terroir e identidade.
E tem novidade no mapa. Minas Gerais, São Paulo, o Cerrado — regiões que há 10 anos ninguém incluiria numa conversa sobre vinho branco de qualidade — aparecem agora com rótulos reconhecidos. O Distrito Federal também entrou na lista de premiados. A vitivinicultura brasileira se expandiu pelo quinto ano consecutivo, e o país chegou a 91 mil hectares de vinhedos.
No extremo oposto do país, o Vale do São Francisco segue produzindo o seu milagre particular: duas colheitas por ano num clima semiárido, brancos leves e frutados que têm tudo a ver com a mesa brasileira, harmonizando com frutos do mar, peixe de rio, a simplicidade elaborada de um bom almoço.
O que mudou não é apenas o vinho. É quem bebe. Quem escolhia pelo preço passou a escolher pelo terroir, pela história da vinícola, pela uva. O segmento premium e superpremium já representa 30% do faturamento de vinhos finos no país. Isso não é ostentação. O consumidor, per capita, ainda que esteja selecionando mais, tem muito a crescer. Aprende, evolui, sabe o que está na taça e por quê.
Neste agosto, em que o mundo celebra o vinho branco, vale lembrar que o melhor rótulo pode estar a poucos quilômetros de casa, crescendo em solo brasileiro, com história que ainda está sendo escrita. E que não há nada mais elegante do que escolher beber bem aquilo que é nosso. No Dia do Vinho Branco, 4 de agosto, o branco brasileiro tem tudo para estar na taça.
